segunda-feira, 20 de dezembro de 2010







Você já amou alguém?

     Ao tentarmos entender o amor, encontraremos diversas definições e tentativas frustradas perante a busca da compreensão do incompreensível.
     A ciência explica o amor. De uma maneira patética, diga-se de passagem. Segundo o livro “Why We Love : The Nature and Chemistry of Romantic Love”, de Helen Fisher (Porque nós amamos: A natureza e a química do amor romântico): O amor é uma sensação de união que é reforçada pela presença de ocitocina, que é sintetizada no hipotálamo e secretada no sangue pela pituitária. Em mulheres, a ocitocina estimula as contrações do parto, lactação e amor maternal. Tanto em homens quanto em mulheres esta aumenta durante o sexo e explode durante o orgasmo, tendo influência na união do casal.
     Resumindo: a pessoa que escreveu este livro fez questão de perder seu tempo.
     O amor não é ciência, a força da paixão não se vê com aparelhos. Vários pensadores tentaram compreender o amor, dentre eles, Platão. 
     Platão ilustrou o seu pensamento através do mito do andrógino. Este mito mostra o que realmente é o amor e as suas capacidades, não resume a complexidade do amor em dados precisos de hormônios.
     Mas antes de falar sobre o mito do andrógino, vou falar sobre o que é um mito. O mito é uma narrativa utilizada para explicar a origem de algo. O mito não tem como função explicar a forma física de algo, mas sim a forma real, o reflexo em nós mesmos.
     Lá vai a história: Há muito, muito tempo atrás, existiram seres denominados andróginos. Andróginos eram seres perfeitos, assim como os deuses. Suas costas e seus lados formavam um círculo e ela possuía quatro mãos, quatro pés e uma cabeça com duas faces exatamente iguais, cada uma olhando numa direção, pousada num pescoço redondo. A criatura podia andar ereta, como os seres humanos fazem, para frente e para trás. Mas podia também rolar e sobre seus quatro braços e quatro pernas, cobrindo grandes distâncias, veloz como um raio de luz.
     Os andróginos representavam uma ameaça aos imortais, pois eram tão perfeitos quanto eles, pois possuíam todos os opostos; força, velocidade e inteligência em um nível jamais imaginado.
     Acabaram por tornarem-se ambiciosos. Ousaram escalar o Olimpo, onde se encontravam os imortais. Os deuses haveriam de punir os andróginos, mas não poderiam ficar sem adoração, pois um deus em que ninguém possui fé é igual a nada.
     O Grande Zeus ordenou: Deixem que vivam. Tenho um plano para deixá-los mais humildes e diminuir seu orgulho. Vou cortá-los ao meio e fazê-los andar sobre duas pernas. Isso com certeza diminuirá sua força, além de ter a vantagem de aumentar seu número, o que é bom para nós. 
     Pois mal terminou de falar e começou a partir as criaturas em dois.. E, à medida que os cortava, Apolo ia virando suas cabeças, para que pudessem contemplar eternamente sua parte amputada. Uma lição de humildade. Apolo também curou suas feridas, deu forma ao seu tronco e moldou sua barriga, juntando a pele que sobrava no centro, para que eles lembrassem do que haviam sido um dia (umbigo). 
     E foi aí que as criaturas começaram a morrer. Morriam de fome e de desespero. Abraçavam-se e deixavam-se ficar assim. E quando uma das partes morria, a outra ficava à deriva, procurando, procurando...
     Zeus ficou com pena das criaturas. E teve outra idéia. Virou as partes reprodutoras dos seres para a sua nova frente. De agora em diante, se reproduziriam um homem numa mulher. Num abraço. Assim a raça não morreria e eles descansariam. Com o tempo eles esqueceriam o ocorrido e apenas perceberiam seu desejo.
     Quando um andrógino é separado, ele vaga pelo nada até encontrar-se novamente e assim se completar. Esse é o amor. A saudade, a busca pela alma gêmea, a busca pela alma que nos completa e nos eleva. Ao encontrarmos nossa outra metade, tornamo-nos fortes.
     E fica um recado: Quando encontramos nossa alma gêmea, a nossa nascente de amor, podemos fazer qualquer coisa, superar qualquer obstáculo, dar a volta por cima em todas as provas que a vida nos impõe. Cuide da pessoa que você ama. Hoje pode ser o último dia para dizer para alguém especial que você a ama. Não é impossível que hoje seja o último dia.
     Só tem dois problemas. Quando você se completar, meu amigo, não tente ser Deus, ou te partem no meio de novo. Também não confunda amor com casamento.
       

                                                                                                                          Obrigado pela atenção.
                                                                                                                               Roger Baldez
                                                      

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