quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A promessa indesejada.

Eu estava ouvindo...ao fundo, distante...mas ouvia.
Desci do carro cuidadosamente, aquilo estava parecendo um crime dirigido por bandidos de uma máfia pesada...Pedi ajuda para o motorista, ele me ofereceu suas mãos como apoio.
Fui subindo, devagar, degrau por degrau. Com aquele salto que aos poucos ia fazendo um calo nos meus pés. Que tipo de bandida usa salto alto num crime?
A porta estava fechada, o local era antigo e bem cuidado. Era considerado um ponto turístico...especificamente falando, próxima à estação da Sé, de São Paulo.
Enquanto a porta não abria, eu observava os mendigos que ali imploravam moedas...o que se passava na cabeça deles, se eles tinham uma perspectiva de vida...porém, senti uma mão em meu ombro, que interrompeu minha reflexão.
- Está pronta ? Esse é um passo grandioso. – disse o desconhecido  vestido com calça, camisa social e  gravata. Um tanto quanto desnecessário.
- Eu sei que é. E acho melhor você sair daqui. –respondi.
- Sinto informar, mas eu te acompanharei.
- Como assim? Isso não estava planejado. Eu não te conheço, como saberei se você será útil nisso?
- Bom, meu nome é Roberto. Agora já conhece, isso é o suficiente. O resto não precisa de ensaios.
Calei-me então, e esperei.
Todas aquelas pessoas chegando, me fizeram pensar em desistir. Sei que eu não iria interferir na vida delas, nas famílias...afinal, minha meta daquele dia, planejado há tanto tempo, não era machucar ninguém.
O que estava feito, estava. Chegou o grande momento.
Dei os braços para Roberto e ele conduziu-me naquele corredor. Todos me olhavam como se tivesse algo errado em mim.
E chegando no final do corredor, Vinicius beijou minha mão.
Depois disso, só fui cair na real quando aquele homem metido a superior perguntou:
- E você,  Carolina aceita se casar com Vinicius? Para amá-lo e respeitá-lo (...)
E a resposta mais duvidosa que eu já pude dar um dia foi um triste ‘’ Sim ‘’.
É, infelizmente estava casada com Vinicius, acorrentada a um homem que nunca amei. Porém, promessas têm que ser cumpridas e o que eu prometi antes de meu pai morrer deveria ser concretizado.
                                  Por : Bea

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